Crônica: A importância da festa do Reinado em Itapecerica

Festividade do Reinado em Itapecerica. (Foto: Alexandre Reis / Folha de Itapecerica)

11/08/2017

 

Alexandre Reis

 

A sexta-feira amanheceu deliciosamente abençoada. O ar que bate nas bandeiras de São Benedito, Santa Efigiênia, Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora das Mercês é tão puro que tem poder transformador. O carroceiro do Alto do Rosário que sai de manhã para vender o leite será, hoje à noite, o capitão a serviço da fé. O responsável por cuidar do gramado da Praça Santa Cruz regará, no cortejo de daqui a pouco, a devoção, a flor mais bela da vida dos dançadores. E com suor e sofrimento, a mesma pessoa, no mesmo dia, é pedreiro e pandeiro. 

 

Começou a confraternização de povos e costumes, presentes no berço local há décadas. A pulsação dos mais variados instrumentos, que, cada qual à sua maneira, geram uníssona fé. A veneração aos santos, regentes de uma clara representação da vida, protetores da labuta. A anunciação, com versos, da história e trajetória dos que já foram, outrora judiados e castigados. A encenação da escravidão. Da perseguição. Da libertação. Da purificação da alma, agora quase lavada - um dia maltratada - pelo sangue da misericórdia.

 

Os antepassados são lembrados. Os sucessores são treinados. Velhas promessas são cumpridas, outras novas são pedidas. Mas o que jamais muda, é a busca por mudanças. O capitão precisa de mais proteção quando for vender o leite, na manhã seguinte. O jardineiro precisa de mais ânimo para continuar tratando das belezas da praça. E o pedreiro precisa de mais força para bater a laje com a mesma intensidade que bateu o pandeiro para Nossa Senhora.  

 

O Reinado tem disso. Nos oferece o que precisamos. E é por isso que precisamos tanto dele.

 

Opinião por:

Alexandre Reis é estudante de Jornalismo e natural de Itapecerica.


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