Crônica - O que é política?

12/01/2017

 

Gregory Rial*

 

Política sempre soa um assunto delicado. Numa cidade pequena então, onde as posições políticas se misturam com as relações pessoais de amizade e de comadres... Vish! É mais difícil ainda! Mas não se pode desistir do assunto somente pela sua complexidade. A tarefa é então falar de maneira simples, entendível por todos.

 

Recordemos que este começo de ano é também o começo de novos mandatos de prefeitos e vereadores. Em Itapecerica, houve uma notável mudança – temos um prefeito novo, jovem, que parece muito determinado e empenhado; temos uma câmara também renovada, com pessoas que pela primeira vez assumem um cargo público, e, espera-se: façam bem feito o que tiverem de fazer.

 

No âmbito nacional, enfrentamos os reflexos do golpe de estado do ano passado – cada dia se perde um direito: é aposentadoria, educação, saúde – cada dia se aumentam os privilégios dos privilegiados: é super-salário que aumenta, é dinheiro público nas contas das grandes empresas e por aí vai... De maneira global, a situação está cada vez mais acirrada, de conflitos, violências, incompreensões que estremecem as já muito frágeis relações diplomáticas. E nessa miscelânea de informações cabe a pergunta: o que é política?

 

Por definição, a política é a arte de viver bem na cidade. Nascida na Grécia, a concepção de política pensada por Platão e Aristóteles considera que a felicidade de um indivíduo depende de sua participação na polis (na cidade). Assim, para que alguém se realize, deve assumir seu lugar na sociedade e desempenhar bem sua função: seja comerciante, seja governante, seja pai de família ou guerreiro.

 

Trazendo a definição para nossos dias, a política é o esforço coletivo de se promover o bem comum, sem deixar de fora qualquer cidadão. Que isso seja realidade é outra história. Mas tanto o estado, quanto os governantes e aqueles servidores que estão diretamente ligados à organização pública da cidade devem trabalhar pelo bem comum, e não somente pelo bem próprio e pessoal. Disso dependem dois fatores: a resistência à máquina, porque todos sabemos que há algo de podre na estrutura estatal e que favorece a corrupção; a postura pessoal de transparência e honestidade, que varia de acordo com o caráter e as intenções de cada agente público.

 

Mas é bom lembrar que a questão política não é só dos políticos. Ela diz respeito a cada cidadão que vive numa cidade. O simples fato de habitarmos um lugar e vivermos com outras pessoas nos faz seres políticos, daí a impossibilidade daquele discurso: “eu não sou político, eu não faço política, eu não mexo com política”. Gostando ou não, você é político. A questão é que a grande massa, desiludida com as fraca presença dos agentes públicos, se desinteressa pela questão e age com certa apatia. O perigo desta apatia é que sem perceber, permite-se que maus agentes tome conta dos bens públicos. Portanto, se cada um fiscalizar, colaborar com o bom andamento da cidade, se esforçar por manter a ordem, a limpeza e os deveres em dia, haverá sim um bem comum.

 

Por fim, é preciso reforçar que a política é cada um fazer a sua parte. Questionar, lutar, fiscalizar, protestar, informar-se, debater, dialogar, entrar em consenso, participar das decisões, integrar conselhos, ler, estudar, fazer o bem, manter a cidade limpa, ajudar os mais pobres de maneira justa, respeitar a diferença – essas são atitudes políticas ao alcance de todos. Se forem colocadas em prática, tenho certeza, dias melhores virão.

 

Pense bem!

 

Opinião por:

Gregory Rial é itapecericano, mestre em Filosofia pela Faculdade Jesuíta e professor. Dedica-se ao estudo da ética, sociedade e comportamento.


VOLTAR