Memória: Dia de Reis, tradição ainda conservada

06/01/2017

 

Antônio Carlos Faria Paz*

 

Os Santos Evangelhos narram que alguns magos do Oriente, visitaram o Menino Jesus, seguindo uma estrela e, chegando ao local em que o Salvador se encontrava, o adoraram e ofereceram presentes: Ouro Incenso e Mirra. Daí a tradição, num consenso geral, diz que três são os magos, que seriam também Reis, com os nomes, Baltazar, Belchior e Gaspar. E sendo estudiosos da Cosmologia e Astrologia viram uma estrela diferente. Sendo estudiosos das escrituras que anunciavam pelos Profetas, sobretudo o Profeta Isaías, que nasceria o Salvador enviado por Deus, não tiveram dúvidas. Montaram caravanas com camelos e dromedários e empreenderam uma viagem longa, seguindo a Estrela.

 

Este fato é comemorado pelo folclore popular com as chamados Folias de Reis, com cânticos passados de geração em geração, anunciando a vinda do Salvador e pregoando a visita dos Reis Magos, visitando os presépios montados nas casas, para comemorar o Natal do Menino Deus, o Verbo de Deus Encarnado! Composta de mais de uma dezena de pessoas com instrumentos típicos como sanfona, cavaquinho, rabeca, triângulo, reco-reco, caixas de percussão de couro, dentre outros, entoam suas loas ao Deus Menino.

 

Aqui na vetusta e bucólica Cidade do Tamanduá tivemos as folias do venerado Capitão Zé Gominho, Geraldo D’Alessandro, Antônio Patrocínio, Mineirinho, a Folia de Três: Zé do Morro, Didico Soldado e Zé Ponte (única no estilo) e muitos outros que comporiam uma lista extensa e que merecia até uma pesquisa mais minuciosa, a fim de catalogar o maior de número de folias que já existiram. Bem como as atuais.

 

Também faz parte da Folia a “Santa Bandeira” que vai à frente do Grupo, com a estampa dos três Reis Magos, bem como a figura do “palhaço”, vestido jocosamente com uma máscara, com danças e salamaleques interessantes, representando um soldado do malévolo Rei Herodes, que traindo o sanguinário Rei teria protegido a Sagrada Família da fúria do citado facínora, quando mandou passar a fio de espada todos os meninos abaixo de dois anos, com o fito de matar o Menino Deus, Rei de Israel.

 

Esta Festa na liturgia da Igreja é conhecida como Epifania de Jesus ou “manifestação” de Jesus a todos os povos, do orbe terrestre. São vários os grupos de folia ainda existentes em nossa cidade e que devem merecer maior incentivo a fim de que esta bela tradição das “Folias de Reis”, possam se perpetuar como um patrimônio imaterial de nossa bicentenária Itapecerica!

 

Opinião por:

Antônio Carlos Faria Paz é itapecericano e historiador.

 

(Foto que ilustra a matéria: Alexandre Reis)


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