Opinião: A importância do Setembro Amarelo: precisamos falar sobre suicídio

22/09/2016
Paula Neves*

 

O dia 10 de setembro foi escolhido simbolicamente como o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio pela Associação Internacional para Prevenção do Suicídio (IASP). No Brasil, a partir de 2014, no mês de setembro passou a ser realizado o movimento mundial de prevenção ao suicídio, conhecido como “Setembro Amarelo”.

 

Culturalmente, o suicídio é um tabu. Não é noticiado, não é falado, comentado, discutido. Muitas vezes, mortes decorrentes de um suicídio são escondidas, evitadas, assunto delicado demais para falar. Em muitas religiões, o suicídio é visto como o pior tipo de morte, ou até mesmo como um pecado. São comuns comentários do tipo: “Quem se suicida é covarde! Não pensa na família! Quer só fugir dos problemas!”. Acontece que o suicídio é um problema de saúde pública. O número de mortes por suicídio tem aumentado consideravelmente, e esconder ou fugir do assunto não é a solução! É o problema!

 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), nove entre dez casos de suicídio poderiam ser prevenidos se o assunto fosse mais discutido e as pessoas estivessem mais conscientizadas para perceberem os sinais, as ideações suicidas de alguém e a forma de encaminhamento para um profissional. O movimento “Setembro Amarelo” vem trazer essa visibilidade necessária ao tema, conscientizando e estimulando a fala e prevenção. Por fugir do assunto, pessoas que ouvem ideias suicidas vindas de alguém próximo não se atentam para a seriedade disso, pensam que é "drama" ou realmente escolhem não escutar por não saber como lidar com isso, como ajudar.

 

Por isso, conscientizar, mostrar as formas de ajuda, é tão importante. Qualquer fala que mostre que a pessoa não está encontrando sentido em viver ou que morrer seria solução para algum problema merece atenção e é um sinal de que a ajuda profissional e o apoio de quem está próximo são necessários. Não se deve calar uma pessoa que diz algo com alguma ideação suicida, nem mudar de assunto. Não é drama, vergonha ou exagero! É sinal de que algo não vai bem, de que a pessoa não está encontrando saída, não consegue ver possibilidades para além da angústia.

 

O que pode ser feito por quem está próximo é acolher, escutar, apoiar, ficar atento e por perto e ajudar a procurar auxílio profissional. É importante frisar o auxílio profissional. Em algumas campanhas no Facebook, algumas pessoas diziam deixar seu inbox à disposição para quem quisesse falar. Isso pode ser um problema, já que apenas um profissional está capacitado para intervir. As pessoas podem e devem ouvir e acolher alguém próximo com ideação suicida, mas no sentido de ajudar a procurar um profissional preparado a realizar este auxílio. O apoio é muito importante, mas tem de ser acompanhado por ajuda profissional. O movimento comemorado esse mês é um importante marco para quebrar este tabu e para esclarecer questões relacionadas ao suicídio, mas não podemos esquecer que trata-se apenas de um registro com o objetivo de trazer o assunto à tona para que a atenção a essa questão seja diária

 

Opinião por:

Paula Neves é itapecericana e estudante de Psicologia na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).


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